A Inclusão do Triângulo e Alto Paranaíba na área da SUDECO e do FCO.

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Breve histórico

A região definida pelo Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (que aqui objetivamente chamaremos de TAP) tem origens históricas de sua colonização no Séc. XVII, através dos fluxos dos Bandeirantes (vindos de São Paulo) e dos Mineiros (vindos de São Joao Del Rey, Ouro Preto, Mariana) com destino ao centro do Brasil: as terras de Goyás. Éramos aqui o chamado Sertão da Farinha Podre, que já foi pertencente ao paulistas, posteriormente aos goianos, e há mais de 200 anos somos mineiros. Esta região, caracterizada pelo sólo ácido, porém de topografia plana, delimita o Cerrado em Minas Gerais. Mais ainda: delimita o que foi convencionado a ser chamado de Brasil Central, já nos anos 1930.

Este Brasil Central, que foi objeto da Fundação Brasil Central, companhia de desenvolvimento econômico estatal criada no governo Vargas, tinha o TAP como ponta de lança dos esforços de desenvolvimento de todo o Centro Oeste brasileiro. Uberlândia/MG e Aragarças/GO foram cidades-base para a abertura de rodovias, fixação de entrepostos, visando a ocupação deste vasto território brasileiro, já sob a luz da II Grande Guerra e da necessidade estratégica da nação. Nos anos JK, também por aqui passou e foi viabilizado o desenvolvimento rumo ao Centro Oeste. Esta foi uma evolução liderada pelo Estado.

 

A economia hoje

No século XXI, o Brasil Central vive uma outra revolução. Revolução econômica, capitaneada pela iniciativa privada. Esta região é o celeiro do mundo, potência do agronegócio brasileiro. Responsável pela base de toda uma extensa cadeia produtiva que envolve, produção agropecuária, agroindústria, logística e exportações, com desdobramentos e benefícios econômicos em todos os demais estados da federação. Nos últimos 50 anos cidades, empresas e distritos agro-industriais brotaram no Cerrado do Centro Oeste e levaram o desenvolvimento econômico à vastidão do Brasil Central (25 % do território brasileiro).

E boa parte desse desenvolvimento econômico se deve à Constituição de 1.988, que legitimamente criou um fundo de crédito, instrumento de financiamento rural e empresarial, para empresas e produtores rurais dos estados do Centro Oeste (FCO), com recursos do tesouro nacional, cujas condições extremamente competitivas de juros, carência e prazo de pagamento (em 2018 foram juros de 6,75 % a.a., carência de 3 anos, e prezo de pagamento de 9 anos), viabilizam fortemente os investimentos nessas regiões, distantes do eixo Rio-São Paulo-BH.

O problema é que o TAP ficou no meio do caminho, entre o crescimento industrial do eixo Rio-São Paulo-BH e o florescimento agro-industrial do Centro Oeste incentivado. Viramos um hiato, um vazio econômico. Numa analogia histórica, de volta ao Sertão da Farinha Podre. Assistimos ao longo destes 30 anos, nossas industrias migrarem para os estados de GO, MT, MS e do DF. Além disso, perdemos também os novos investimentos, que reconhecidamente poderiam ocorrer em nosso solo, mas apenas pulam o Rio Paranaíba e vão gerar empregos, renda e impostos do lado de lá do barranco.

O que queremos

Em 2002, o então deputado federal Romel Anízio Jorge, com muito empenho, apresentou projeto de lei para a inclusão dos municípios do Triângulo Mineiro, na área do FCO. Na ocasião o PL recebeu parecer favorável, porém não conseguiu tramitar devido à pressões de parlamentares dos estados do Centro-Oeste. Esta deve ser uma bandeira de toda as Minas Gerais, pois não buscamos aqui nenhuma cisão político-administrativa, dado que somos da iniciativa privada e almejamos o Estado enxuto e com equilíbrio fiscal.

Não temos a riqueza do minério de ferro das Minas Gerais, nem a proximidade do eixo Rio-São Paulo. Queremos continuar mineiros, porém contemplados pela região do FCO, garantindo às nossas empresas e produtores rurais igualdade regional com o Brasil Central, ajudando Minas e o Brasil no desafio de exercer plenamente toda a sua potencialidade econômica.

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